, coincidindo com as tendências convergentes em tecnologia e conteúdo. C. Hoskins e S. McFadyen, da Universidade de Alberta, identificaram oito potenciais benefícios que incentivam a coprodução:

• Fusão de recursos financeiros
• Acesso a incentivos e subsídios de governos estrangeiros
• Acesso ao mercado do parceiro
• Acesso ao mercado de países terceiros
• Aprender com o parceiro
• Redução de risco
• Insumos mais baratos no país do parceiro
• Locações estrangeiras desejadas

Tendências atuais em coprodução em regiões/países selecionados:

O Canadá continua a ser um dos paises coprodutores mais competentes, com mais de 55 acordos de coprodução em todo o mundo, realizando uma média de 60 coproduções de projetos de cinema e TV por ano nos formatos bilateral, trilateral e multilateral (Telefilm Canada).

Na Europa, a maioria das coproduções é regida pela Convenção Européia de 1994 sobre Coprodução Cinematográfica. Fundada em 1988, a Eurimage é o fundo do Conselho da Europa para coprodução, distribuição e exibição de obras cinematográficas européias. A maioria (quase 90%) dos recursos do Fundo – que se originam a partir de contribuições dos Estados membros – vai para apoio a coprodução. Alguns destes filmes receberam prêmios (Oscar, Palma de Ouro, Leão de Ouro etc.). A Eurimage já apoiou 1.383 coproduções européias em um montante total de aproximadamente 417 milhões de euros.

O Programa Ibermedia é um fundo de coprodução cinematográfica patrocinado pela Espanha, Portugal, e treze países membros da América Latina. Sua finalidade é promover o desenvolvimento de projetos voltados para o mercado ibero-americano. Financiado principalmente pela Espanha, onde tem sua sede, o Ibermedia recebe contribuições de cada país membro para compor um fundo ibero-americano audiovisual. Além disso, acredita-se que coproduções com a Espanha dão aos países latino-americanos uma porta de entrada para os mercados europeus. Os beneficiários são limitados a empresas de produção independentes em países que são membros do Programa Ibermedia. As coproduções devem ser feitas entre pelo menos três países. Esta triangulação não só garante distribuição e exibição nestes países, como também cria ligações e redes entre grupos de produtores e profissionais. Os empréstimos reembolsáveis são distribuídos a cada coprodutor com base em sua contribuição financeira na coprodução.

Além do Programa Ibermedia, vários países latino-americanos têm tomado iniciativas individualmente para promover coproduções entre eles, como o recente anúncio da Ancine de dois editais para coproduções do Brasil especificamente com Portugal e Uruguai.

Os EUA não têm tratados de coprodução. No entanto, as empresas americanas geralmente entram em coproduções internacionais de forma não oficial (co-ventures) como a terceira parte em tratados de coproduções, a fim de ter acesso aos mercados e aos incentivos dos demais parceiros.

No entanto, existe nos EUA um novo reconhecimento da importância de coproduções audiovisuais internacionais. A Independent Filmmakers Project – IFP (Nova York) oferece o programa No Borders International Co-Production Market [Mercado de Coprodução Internacional Sem Fronteiras] como uma oportunidade para produtores dos EUA e de outros países encontrarem com profissionais da indústria. A IFP é a maior e mais antiga organização de cineastas independentes dos EUA. Já apoiou a produção de 7 mil filmes e forneceu recursos para mais de 20 mil, além de representar 10 mil cineastas em Nova York e em todo o mundo. A IFP também opera o International Alliance Program com parceiros em várias regiões do mundo, e o Latin American Training Center – LATC latamtrainingcenter.com atua como o afiliado oficial na America Latina.

Além disso, em junho de 2010, o Producers Guild of America (PGA) organizou a primeira competição do International Film Co-Production Showcase (CoProShow), em conjunto com a segunda conferência anual do Produced By Conference (PBC), em Los Angeles. O objetivo da CoProShow era oferecer uma oportunidade única para os produtores internacionais de dialogar abertamente com os produtores norte-americanos. Houve uma expansão do CoProShow em relação ao ano passado, e o novo ProShow de 2011 aceita agora tanto inscrições de projetos domésticos, quanto de internacionais.

A contradição interna da coprodução internacional

É evidente que a coprodução de conteúdo audiovisual, feito através de um tratado de coprodução entre dois ou mais Estados, recebe duas ou mais “nacionalidades”, e oferece benefícios por estar qualificada a receber os incentivos fiscais nacionais voltados para a promoção da produção, distribuição e/ou exibição cinematográfica nos países correspondentes.

Além disso, coproduções têm o potencial de oferecer valor agregado ao processo de globalização através da diversificação e hibridização das culturas. Como expressou Graham Murdock, da Universidade de Bergen, Noruega, as coproduções podem abordar novas políticas de identidade, proporcionando um foro público onde as idéias e opiniões circulam livremente.

Porém, este potencial pode não ser plenamente realizado devido à forma como muitas coproduções são organizadas economicamente. A realidade econômica é que as coproduções são usadas predominantemente para competir num mercado global e, portanto, focadas em narrativas populares que vendem audiências para os anunciantes. Em muitos casos, elas não refletem as expressões culturais locais ou mudanças políticas e econômicas atuais. De acordo com Joseph Straubhaar, da Universidade do Texas, geralmente simulam produções hollywoodianas que foram generalizadas e adaptadas a um modelo global de mídia comercial.

Historicamente, as coproduções eram destinadas a promover a colaboração entre os países com pequenas indústrias de produção, podendo, assim, reunir recursos e gerar uma maior exposição das suas expressões culturais. Hoje, as coproduções se concentram mais em gêneros populares, como romances policiais, e comédias dramáticas como “Um conto chinês” (Argentina/Espanha), “Garcia” (Brasil/Colômbia), “El mural de Siqueiros” (México/Argentina).

Conseqüentemente, as coproduções são uma tendência significativa em relação às produções cinematográficas e televisivas internacionais, mas podem não necessariamente promover as expressões culturais locais e a diversidade. Chris Barker, da Universidade de Wollongong (Austrália) indica que os formatos de novas mídias estão ligados ao aumento da fragmentação do mercado devido às novas tecnologias, tais como satélite, cabo e transmissão via internet (streaming), e a conseqüente demanda por novos programas; a redução do financiamento público para a produção; e uma crescente ênfase na televisão comercial, que coloca a publicidade e a promoção de uma cultura global no primeiro plano das suas atividades. Alguns exemplos são “Epitafios” (HBO Latinoamerica) “Los Simuladores” (Sony Pictures Television), “The Amazing Race” (Disney Media Networks Latin America), e “Mental” (Fox Telecolombia), a primeira série em língua inglesa produzida em um país latino-americano para o mercado dos EUA.

Por outro lado, existem agora novas e importantes oportunidades para consolidar as tendências acima através dos mercados de conteúdos multiplataformas, tais como o RioContentMarket, promovido pela primeira vez em marco de 2011 pela Associação Brasileira de Produtoras Independentes de Televisão (ABPI-TV). Este tipo único de mercado oferece ao produtor de conteúdo audiovisual uma variedade de oportunidades de negócios para a realização de projetos, com ou sem coprodução, e, simultaneamente, promove a partilha de talento criativo com debates e painéis sobre assuntos relevantes, como, por exemplo: “Narrativas e audiências globais – por que as histórias viajam?”

*Steve Solot
Presidente
Latin American Training Center – LATC
Centro Latino-Americano de Treinamento e Assessoria Audiovisual
Rio de Janeiro, Brasil, latamtrainingcenter.com

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