Efetivamente, desde 2005 o market share de lançamentos de filmes dos independentes vem crescendo de 64% a 73% em 2008 (448 de um total de 610 lançamentos), uma tendência que deve continuar em 2010. Além disso, como um sinal de força significativo, no ranking das indicações para o Oscar 2010, os filmes produzidos por independentes ultrapassaram os das majors (79 vs. 42).

Mas é importante esclarecer que o apoio nos EUA às indies não está limitado às chamadas fundações filantrópicas, como Ford, Kellog e MacArthur Foundation, nem ao PBS ou mesmo ao financiamento comercial do Sundance Institute. O apoio à indústria independente existe formalmente no setor privado através da Independent Film & Television Alliance-IFTA e da Indepedent Feature Project-IFP, que mantêm múltiplos programas de treinamento e contatos para co-produção e distribuição através dos reconhecidos eventos e mercados: American Film Market e o Independent Feature Week, respectivamente.

Outro fator de importância crescente são os benefícios fiscais oferecidos na famosa Seção 181 do Regulamento da Receita Federal (IRS), que foi incluído no Ato de Energia Renovável e Criação de Emprego de 2008 (Renewable Energy and Job Creation Tax Act of 2008). Esta lei foi uma reação do Congresso norte-americano ao fenômeno conhecido como “a fuga de produção” (Runaway Production), exemplificado por um filme ou série de TV produzido por empresa norte-americana e que normalmente seria filmado nos EUA, mas que “foge” para ser produzido em locação estrangeira mais barata.

A Seção 181 está destinada especificamente à produção independente de baixo orçamento (menos de US$15M) filmada nos EUA. No entanto, são poucos produtores independentes que sabem aproveitar o mecanismo, que permite deduzir do imposto de renda devido recursos investidos num filme ou programa de TV.

O mesmo ocorre em relação aos múltiplos benefícios fiscais oferecidos de forma competitiva pelas Film Commissions nos EUA. Em 2009, 44 dos 50 estados ofereciam programas significativos de incentivos para produção audiovisual. Esta guerra fiscal entre estados para oferecer cada vez mais benefícios tem conseguido manter muita produção audiovisual dos EUA dentro das fronteiras do país, mas tem levado a exageros como o caso notório do estado de Michigan, onde os produtores conseguem receber mais em benefícios fiscais que o orçamento gasto no estado. Vide o exemplo de Michael Moore, que aproveitou o mecanismo para produzir em Michigan seu último filme, ironicamente intitulado “Capitalism: A Love Story”.

Mas no atual caso emblemático de uma produção independente concorrendo com uma superprodução dos estúdios, “Guerra ao Terror” vs. “Avatar”, o último contou com um apoio considerado “desleal” por críticos na forma de um subsídio direto de US$ 45 milhões do governo da Nova Zelândia para a produção no país de seqüências do filme de James Cameron (orçamento total entre US$ 300 e US$ 500 milhões), enquanto o orçamento total do filme da sua “ex”, Kathryn Bigelow, não passou de US$ 15 milhões.

Finalmente, com o colapso em 2007 do modelo tradicional de distribuição de filme independente norte-americano (Mark Gill, IndieWire 6/2008), os independentes estão cada vez mais repensando o modelo de negócios e concluindo que a produção do filme começa com uma alternativa ao lançamento em theatrical (vide o novo livro de Jon Reiss, “Think Outside The Box (Office): The Ultimate Guide to Film Distribution in the Digital Era”).

Em resumo, como comentou Joel Zito, o mecanismo de produção cinematográfica nos States é muito mais complexo do que a chamada produção industrial de Hollywood. Mas, os independentes, para sobreviver, estão cada vez mais agressivos e competitivos na oferta da diversidade de expressão audiovisual, e com um resultado positivo pelo mercado. Talvez existam ali um ou mais exemplos a serem estudados pela indústria brasileira.

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